Sobre planejamentos

Modéstia à parte, sou uma das pessoas mais organizadas que conheço e essa é uma verdade que qualquer amigo próximo pode confirmar. Cheguei em um nível em que eu planejo até os dias que não terei planejamento.

Mesmo assim, mais vezes do que posso contar, minha vida se enche dos "de repente" (como diz minha mãe). Acordo numa segunda-feira para ir ao escritório, com nada de anormal agendado para a semana e então, três dias depois, estou num aeroporto para uma viagem de trabalho para outro país. Já aconteceu de verdade.

Às vezes penso que tento me organizar o máximo que posso porque sei que mais dia, menos dia, coisas assim vão acontecer e não há o que eu possa fazer - nem sempre as surpresas são boas, mas faz parte da vida também.

Mas a verdade é uma só: eu me organizo porque sou desorganizada. E preguiçosa. E amo demais procrastinar até o último momento. 


Não pensei em um título bom...

Eu queria muito escrever aqui mais vezes. Mesmo.
Hoje resolvi que faria isso enquanto o celular está em outro cômodo carregando.
Mas parece que sempre nos dias em que eu quero, eu não consigo.

Porque no fundo, no fundo, eu sempre escrevi sem precisar pensar muito. O que eu quero dizer sai muito mais fácil quando eu não fico tentando organizar meus pensamentos pra fazer sentido ou quando começo a reparar se estou repetindo as palavras - um hábito de uma matéria que eu tinha na faculdade, que descontava 0,25 pontos por palavra repetida no parágrafo. Aqui eu teria perdido alguns pontos tranquilamente, mas sou eu mesma que vou me dar nota quando terminar.

E de repente...

...eu pisquei e se passaram 10 anos desde que comecei com esse blog.
Era pra ser um local para eu escrever às vezes, "treinar" um pouco depois da formatura em jornalismo. Lembro de pensar que se eu não conseguisse um emprego na minha área naquele ano, nunca mais conseguiria. Eu, tão otimista, estava vendo a vida em cores bem confusas.

Tecnicamente eu nunca trabalhei com jornalismo.
Quero dizer... mais ou menos.
É meio confuso de explicar...

Trabalhei com assessoria de imprensa, trabalhei com comunicação em geral, mas nunca fui repórter (a Vitorinha de 8 anos chora). Também nunca fiz a pós em jornalismo literário que eu me prometi fazer depois de 1 ano formada (passou uma década, fiz outra graduação, mas a pós que era bom: niente).


nós

eu consigo digitar sem olhar pro teclado e mesmo assim tem dias que não consigo desfazer o nó dos dedos que me seguram.

crio frases desconexas umas das outras 

pulo

linhas

procurando

parágrafos

Querida eu

Você fez 30 anos ano passado e, de repente, começou a se questionar se sua vida é a vida que você quer manter. Você é grata por ela, mas sem esperar, começou a pensar se há outros caminhos.

Você que sempre se expressou tão bem, ficou sem saber o que dizer. Quais os desejos do seu coração? Essa tem sido sua pergunta principal.

Alcançamos tudo o que queríamos? Mas o que queríamos mesmo?
Sua cabeça virou um liquidificador e seu coração bate de um jeito tão devagar que a vida parece em câmera lenta. 

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