nós

eu consigo digitar sem olhar pro teclado e mesmo assim tem dias que não consigo desfazer o nó dos dedos que me seguram.

crio frases desconexas umas das outras 

pulo

linhas

procurando

parágrafos

de vez em quando tenho uma vontade muito grande de chorar e penso em escrever sobre isso pra ver se as lágrimas somem
mas elas insistem em
c
a
i
r

repito pra mim mesma que tá tudo bem, estão todos bem, não tem motivo pra isso
mas esse nó, ora no peito, ora nos dedos continua

e eu não acho as palavras 

p e r d i d a s

eu perdida também

não tem nada de errado mas tá tudo errado de um jeito que eu não entendo pra arrumar
já senti isso antes e tudo mudou pra melhor. 

mas é o segundo antes do mergulho que eu não gosto de sentir. gosto do depois que é quando eu entendo o que aconteceu
gosto de entender
e de contar essas histórias

eu conto histórias
e sonho com elas
sonho o tempo todo
e quando paro de sonhar
a vida não é o poema que eu quero

às vezes é melhor
às vezes é confuso
mas é

...
...
...

escrevi até com os nós nos dedos

no fim
é a única
opção

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