Enquanto o depois não chega

Engraçado pensar que meu último post aqui foi sobre constância e perceber que foi exatamente o que faltou neste blog (e no canal, na vida etc). Mas acho que todos nós concordamos que tá todo mundo, no mínimo, desgraçado da cabeça a esse ponto da pandemia.

A gente vai se agarrando a cada fiozinho de esperança; a cada foto dos amigos/familiares vacinando; a cada risada de criança, tudo isso só pra não ficar gritando com a cara no travesseiro toda noite. Tá certo que não há um dia em que eu não entre no Instagram e não queira matar pelo menos 4 pessoas diferentes que continuam viajando/aglomerando/saindo sem máscara, mas se nem isso me fizer começar a beber, nada mais fará.

Desde março, eu acho que pensei em uns cinco textos diferentes pra escrever aqui. Fiz um ano de quando meu chefe disse: "daqui 2 semanas a gente volta pro escritório" (voz do narrador: "não vão voltar tão cedo"); teve meu aniversário que foi mais sozinho ainda do que o do ano anterior; eu perdi uma amiga pro covid; BTS lançou Butter e Permission To Dance e só eu sei como isso me deixou com um sorriso bobo na cara (eu tô aceitando TUDO que possa me fazer sorrir); eu comprei coisas que não deveria e percebi que estou com um problema sério em acúmulo de livros pela casa...

E o principal: se tudo der certo, me vacino semana que vem – e tenho certeza que cairei no choro na frente de todo mundo que estiver no postinho.

Uma coisa que eu tenho percebido, e que provavelmente todo mundo está do mesmo jeito, é que eu finjo que os dois últimos anos não existiram. De 2019 vou pular pra 2022 sim. Além disso, o único plano que eu ainda tenho pra esse ano, além de me vacinar, é poder passar o natal com a minha família, que eu não vejo há um ano e meio.

É tipo uma "suspensão de realidade". Estou apenas existindo, mas não completamente. Estou aqui, mas não é como se estivesse realmente: sou apenas um robozinho que come, dorme, trabalha e lava a louça. Faz uns 10 dias que eu não saio de casa para além da portão pra pegar entrega. Se eu não existo, o mundo também não existe pra mim.

Minha amiga, Sara, me viciou recentemente em vídeos de walking tour. Que nada mais são do que vídeos das pessoas filmando os lugares enquanto passeiam. Tenho uma preferência pelos vídeos em cidades que eu já fui, porque aí eu fico: "Conheço aí. Já comi nesse restaurante. Essa pessoa tá fazendo o caminho mais longo, se virar ali chega mais rápido". E quando eu me deparo com um vídeo cheio de gente sem máscara, eu fico entre o choque (por lembrar que "o mundo era assim") e a indignação (pois alguns desses vídeos são recentes, não é de antes de 2020, não). 

Mas, o que mais me causam esses vídeos, é a vontade de viver de novo. É como se agora eu só estivesse em stand by. Uma hora eu vou voltar a funcionar, vou voltar a fazer planos, vou voltar para o pilates pra cuidar dessa dor no ombro, vou tomar sol deitada na praia, vou ficar horas em um voo com o joelho travado... mas por enquanto não dá não.

Porém, também acho que mesmo quando o "depois" chegar, ainda vai levar um tempo pra eu entrar num mercado sem medo de contaminação; ou de andar sem máscara. Meu Deus! Eu nem sei como VIVER de novo sem máscara e álcool em gel na bolsa. 

No fim é isso.

A gente pode até superar tudo isso, mas inteiro ninguém vai estar, né?

2 pessoas viram:

  1. Ow Vitória (voz da Déia), não faz isso com a gente. Não estaremos inteiras mesmo, mas eu espero que a gente consiga preencher pelo menos uma parte desses vazios. Sei que a retomada dos nossos cafés vão fazer um pouco isso. <3 E de nada pelos vídeos hahahaha. Não sei se falo "de nada" ou "desculpa".

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  2. Perfeito! Me sinto exatamente assim, é bom não estar sozinha.

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