Achei que minha vida estava muito monótona e sem graça, então resolvi procurar algo pra fazer. Ao invés de voltar pro pilates ou fazer um curso de cerâmica, pensei que era uma ótima ideia ir para um nível mais avançado de francês.
Em uma universidade...
...na França.
(solta a vinheta dos Trapalhões)
(digam "oi" para Toulouse!)
Na verdade, eu já terminei o curso. Essa é uma postagem pós-15 meses vivendo sozinha em outra cidade, que fica em outro país, num continente do outro lado do Oceano – e ainda falando outro idioma. Eu tava só aquele meme do Pica-Pau rodando a colher na xícara e falando: "Essa gente inventa cada coisa...".
Durante a pandemia eu voltei a estudar francês e depois da pandemia eu fiz o curso de verão da Sorbonne e fiquei 40 dias viajando pelo país. Quando voltei pro BR, mudei de cidade e fiquei com aquela "coceirinha", sabe? Mas uma coisa é viajar com um roteirinho pronto. Outra completamente diferente é olhar para a própria vida e pensar: "E se eu largar tudo por um tempo e ir morar em outro país, hein?!".
Como eu trabalho home office desde 2020, eu manteria meu emprego mesmo estando lá. O maior problema era: intercâmbio é muito caro (e cobra por semana de curso). Então eu descobri a Rebeca, do Viver e Viajar, que faz uma consultoria tanto pra quem quer estudar francês na França (meu caso), quanto pra quem quer fazer Mestrado/Doutorado por lá. Foi através dela que descobri o DUEF (Diplôme Universitaire d'Études Françaises) e a Université Toulouse Jean Jaurès (que tem esse curso, com duração de 2 semestres e um único pagamento \o/).
Juntei os documentos que precisava, mandei pra tradução juramentada, fiz a inscrição em janeiro/2025 e ao invés de aguardar o resultado (para saber se seria aprovada ou não) que só sairia em maio, resolvi JÁ IR PRA TOULOUSE! Meu pensamento era: se tudo der errado, eu fico por lá uns 6 meses e volto; se tudo der certo, eu já estarei instalada. rs
E foi assim que começou minha aventura pelo sudoeste da França... rs
Toulouse foi a 11ª cidade da França que eu conheci e eu nunca a tinha visitado até aparecer por lá com duas malas, uma mochila e uma reserva num Airbnb no centro da cidade.
Entre eu chegar e me mudar pra um studio (e não mais ficar em Airbnb ou hotel) passaram-se 20 dias, mas deu tudo certo. Então em abril eu já tinha um cantinho meu alugado e podia começar a relaxar um pouco (essa parte de arrumar casa já é estressante no seu próprio país, agora em outro é ainda pior).
Meu studio era minúsculo? Sim! Tinha 18m², maaaaaaaaaaas tinha uma banheira (o que é engraçado pra mim, porque a gente tem um balcão pra ser chamado de cozinha, mas uma banheira pra tomar banho rs a planta da casa faz pouco sentido pra mim rs) e era super bem localizado. Eu até deixei um comentário bom no Google pra eles kkkk
Passei abril meio que de boinha, até receber um e-mail em maio avisando que tinha conseguido a vaga para o curso! \o/ A inscrição mesmo foi em julho, mas as aulas só começaram em setembro. Ou seja: ainda passei toda a primavera e verão explorando a região. Pra se ter uma ideia, eu conheci outras 9 cidades depois de Toulouse. rs
Em Toulouse eu tive dias em que me sentia a pessoa mais corajosa do mundo por estar ali, sozinha, construindo uma vida em outro idioma. Mas também teve dias que me sentia muito sozinha e/ou cansada e ficava pensando porque tinha me enfiado naquilo.
Não acho que exista uma idade para realizar um sonho. Na minha adolescência, intercâmbio era algo que eu nem sabia que existia; e aos 20 e poucos anos eu não tinha dinheiro pra isso. Então tudo bem viver isso com o pé nos 40, mas era muito engraçado que meus colegas de turma eram jovens (tinha um sueco com 19 anos, sabe? podia ser meu filho kkkk). E, bom, eu acho que depois dos 30 a gente fica um pouco mais cansado, mas talvez fosse também pelo fato de que eu tava trabalhando e estudando - coisa que eu fiz aos 20 anos sem chorar, mas que agora me deixava exausta.
Teve curso, prova, trabalho, preocupação com dinheiro e aqueles momentos em que eu tinha que fingir que sabia exatamente o que estava fazendo - e que eu acenei com a cabeça sem ter entendido o que a pessoa falou em francês. Teve a comprovação de que francês ama greve e odeia sabonete; de que o morango que eles produzem é surreal de cheiroso e gostoso; e que infelizmente falta pastel naquele país (coxinha até que eu achei rs), mas eles compensam com framboesas, queijo barato e croissant.
Mas não foi só sobre estudar francês. Foi sobre aprender a ficar sozinha sem estar necessariamente solitária; foi sobre andar por cidades francesas pagando 1 euro no primeiro final de semana de cada mês; entrar em museus gratuitos no primeiro domingo; sentar à beira do Garonne; comprar livros em francês e, aos poucos, perceber que coisas que antes pareciam impossíveis tinham simplesmente virado parte da minha rotina.
Também teve chuva demais no inverno; roupa que não secava; calor completamente fora de época e aquele tipo de problema que ninguém posta (a haste do meu óculos quebrou e eu colei com super bonder kkkk). Mas também teve risadas com pessoas que conheci de muitos outros países; brasileiras fazendo festa com guaraná, coxinha e bolo de brigadeiro; e teve neve! Que eu nunca tinha visto até então! Ah! E teve DOIS shows do BTS: um da turnê solo do Jin em Amsterdã e outro do grupo completo nesse ano em Bruxelas!
E, claro, teve saudade. Saudade das pessoas, da comida, da facilidade de entender tudo sem precisar fazer um esforço mental para acompanhar uma conversa. Eu passava parte do dia na faculdade pensando em francês; depois chegava em casa e começa a trabalhar em português; a noite eu já não sabia mais me comunicar em nenhum idioma. rs
Então, sim: quem não tem problema, arranja problema.
E, honestamente, esse tipo de problema até que eu recomendo! rs







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